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Alerta para a importância da doação de córneas

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(Foto: Henrique Puppi)


 
Mais de 37 mil pessoas aguardam por um transplante de córnea no Brasil, sendo 213 delas em Sergipe, segundo dados da Central Estadual de Transplantes. A doação pode ajudar a mudar essa realidade e, para isso, o primeiro passo é simples: conversar com a família e manifestar o desejo de ser doador. O alerta ganha força durante o Setembro Verde, campanha de conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos.
 
O oftalmologista Allan Luz, doutor em Oftalmologia e Ciências Visuais pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp) e médico do Hospital de Olhos de Sergipe (HOS), destaca que a conversa em família é fundamental para que a vontade do potencial doador seja conhecida e respeitada.
 
“É importante que as pessoas conversem com seus familiares e digam: ‘eu quero ser doador’. Porque, no momento do óbito, quem vai autorizar a doação é a família. Então, se essa vontade já foi conversada, se os familiares sabem que aquela pessoa queria doar, o processo se torna muito mais tranquilo”, explica.
 
Como funciona
 
Após o óbito, a família é consultada e, mediante autorização, uma equipe especializada realiza a captação das córneas. O tecido é encaminhado ao Banco de Olhos para avaliação e preparo e, posteriormente, disponibilizado pela Central Estadual de Transplantes para um paciente que aguarda pelo procedimento.
 
A retirada também não provoca deformações visíveis no corpo do doador, uma dúvida que ainda pode gerar receio entre os familiares. 
 
Podem ser doadores de córnea pessoas entre dois e 80 anos que tenham falecido por parada cardíaca ou morte encefálica, desde que não apresentem condições que contraindiquem a doação. Além disso, não é necessária compatibilidade sanguínea entre doador e receptor, já que a córnea não possui vasos sanguíneos.
 
Benefícios para quem recebe
 
A importância desse gesto fica mais clara quando se olha para quem está do outro lado da fila. O transplante pode ser indicado para pacientes com doenças ou lesões que comprometem a córnea e não podem ser corrigidas com óculos ou lentes de contato.
 
Entre as principais causas estão o ceratocone, mais comum em pessoas jovens, e a distrofia de Fuchs, alteração relacionada ao envelhecimento. Dependendo do caso, o procedimento pode substituir apenas a camada comprometida da córnea ou toda a estrutura.
 
“Para o paciente, a cirurgia pode recuperar não apenas a capacidade de enxergar, mas a autonomia e as atividades do cotidiano”, destaca Allan Luz.
 
Cenário em Sergipe
 
Sergipe ocupa a quarta posição no ranking nacional de realização de transplantes de córnea, segundo dados divulgados pelo Governo do Estado em maio. Neste ano, 118 procedimentos já foram realizados no estado. Desse total, 73 foram feitos pelo Hospital de Olhos de Sergipe (HOS), o equivalente a 61,9% dos transplantes realizados em Sergipe.
 
Mas apesar dos avanços, 213 pessoas aguardam atualmente por um transplante de córnea no estado, com tempo médio de espera de aproximadamente 11 meses. Para Allan Luz, os números reforçam a importância de ampliar a conscientização sobre a doação. 
 
(Por: Assessoria)