(Foto: Tata Barreto)
Celebrar o cinema nacional é reconhecer trajetórias que moldaram o cenário atual e popularizaram tramas e vertentes do audiovisual. Na 5ª edição, o Festival Internacional de Cinema de Itabaiana presta homenagem à diretora e roteirista, Yoya Wursch, reconhecendo suas mais de quatro décadas de atuação, além da contribuição para a cultura e o audiovisual brasileiro e sergipano. A celebração integra a programação do evento, que acontece entre os dias 19 e 22 de agosto, na Universidade Federal de Sergipe (UFS) – Campus Itabaiana.
Embora nascida na cidade do Rio de Janeiro, foi no estado de Sergipe que Yoya Wursch encontrou o seu espaço definitivo na 7ª arte. Ao lado da sergipana Ilma Fontes, produziu o primeiro filme sergipano captado em película de 35mm, o curta Arcanos, o Jogo. Dirigido e roteirizado pela própria Yoya, o curta, lançado na década de 1980, aborda a cartomancia, e transforma o Mercado Municipal de Aracaju em um ponto de encontro misterioso e supersticioso para os desconhecidos da vida.
A parceria entre Yoya Wurch e Ilma Fontes se repetiu ainda nos anos 80 com o curta-metragem O Beijo. Com 7 minutos de duração e rodado em Super 8, um formato de filme analógico de 8mm, o curta possui direção e roteiro de Yoya Wursch, que junto à sergipana Ilma Fontes, assume o protagonismo da trama. O Beijo narra a história de duas mulheres que passam por tramas existenciais, enquanto procuram respostas para a melhor maneira de viver.
As obras realizadas em Sergipe representam momentos fundamentais para a formação da identidade do cinema sergipano e permanecem como referências para pesquisadores e realizadores. Como lembra a própria cineasta, foi a partir das experiências vividas no estado que sua relação com o cinema se consolidou. “Sergipe foi quem me colocou no cinema definitivamente. Arcanos, o Jogo, O Beijo, e uma história que eu ouvi de um cara que conheci aqui. Em 1979 ele era pai solteiro… essa história me inspirou. Escrevi um argumento para um filme, ganhei um concurso numa produtora e fui escolhida para escrever meu primeiro longa-metragem — Bete Balanço — e não parei mais. Quem tem um sonho não dança!”, reforçou Yoya.
A cineasta também reforçou que o reconhecimento representa uma oportunidade de destacar a contribuição de Sergipe para sua trajetória e para o cinema nacional. “Estou muito feliz com essa homenagem! O Nordeste faz o melhor cinema do Brasil. Que bom que o estado sergipano contribui para o cinema e a cultura e fortalece o audiovisual sergipano e brasileiro. Viva Sergipe! Viva o nosso cinema”, afirma.
Além de Bete Balanço (1984) dirigido por Lael Rodrigues e protagonizado por Débora Bloch, a passagem por Sergipe também antecedeu trabalhos que marcariam sua carreira. Como roteirista, assinou títulos como Rock Estrela (1986), Rádio Pirata (1987), Lua de Cristal (1990) e Copacabana (2001), entre outros filmes que ajudaram a consolidar sua atuação no audiovisual.
Na televisão brasileira, a diretora e roteirista também deixou sua marca como autora e colaboradora de importantes produções. Yoya assinou a autoria de Colégio Brasil, exibida pelo SBT, colaborou em novelas como Dona Anja, Mandacaru, Malhação, Metamorphoses e Vende-se um Véu de Noiva, além de criar Dance Dance Dance, exibida pela Band em 2007 e reconhecida como a primeira telenovela brasileira produzida e exibida integralmente em alta definição. A roteirista também escreveu para programas como Você Decide e Brava Gente e, mais recentemente, para a série República do Peru, produzida para a HBO.
Homenagem
A homenagem a Yoya Wursch evidencia uma trajetória que atravessa diferentes gerações, e reforça como experiências construídas longe dos pólos centrais do país podem contribuir para a história do cinema brasileiro. Ao reconhecer a cineasta, o Festival Internacional de Cinema de Itabaiana reafirma o compromisso de valorizar a memória audiovisual e destacar os encontros entre diferentes territórios, trajetórias e formas de fazer cinema.