(Foto: Divulgação)
Natural da Guiné-Bissau e residindo desde criança em Cabo Verde, na África, Fattú Djakité, através do seu hit Badja Tina, desponta como uma das grandes promessas da música mundial. Cantora, compositora, artista plástica e ativista social, é hoje uma das vozes femininas mais relevantes da música africana contemporânea.
A sua ligação com a música começou ainda na adolescência. Aos 13 anos, gravou a sua primeira música num estúdio de bairro e, com coragem, levou-a à rádio local. Foi nesse momento que conheceu o cantor Princezito, que a acolheu e se tornou o seu mentor — ou, como ela diz, o seu “pai musical”. Em 2008, integrou o projeto Verão 2008, uma iniciativa que reunia jovens talentos de Cabo Verde em gravações e atuações ao vivo. Gravou uma música no estilo zouk, fora do seu estilo habitual, mas viu na oportunidade uma porta para entrar profissionalmente no mundo da música. A partir daí, começou a trabalhar como backing vocal em estúdio e em palco, acompanhando diversos artistas cabo-verdianos durante mais de dez anos.
O ponto de virada da sua carreira foi em 2012, com a participação no reality show 'Estrela Pop', onde conquistou o 3º lugar. Foi neste programa que Fattú se apresentou verdadeiramente ao público cabo-verdiano — com a sua voz, a sua história e a sua força. A partir daí, iniciou a sua caminhada como artista principal, ganhando reconhecimento nacional.
Em 2017, viajou ao Rio de Janeiro para gravar o seu álbum de estreia com o produtor brasileiro Maurício Pacheco. No entanto, o disco só seria lançado em 2022 com o título Praia Bissau — um trabalho profundamente ligado às suas origens e à sua vivência entre a Guiné e Cabo Verde. Em 2019, fundou a banda AZÁGUA, com a qual explorou sonoridades tradicionais e contemporâneas do universo afro-atlântico. Durante a pandemia, mudou-se para a Ilha de São Vicente, onde aprofundou a sua identidade artística e visual. Em 2022, representou Cabo Verde na Expo Dubai 2020, reforçando a sua presença no circuito internacional.
Em 2023, foi eleita Melhor Intérprete Feminina no Cabo Verde Music Awards, e reconhecida pela revista Bantumen como uma das 100 personalidades mais influentes da Lusofonia. Para além da música, Fattú é também artista plástica — cria obras abstratas em tela e murais, inspiradas na natureza, nas emoções e na ancestralidade africana. O seu trabalho visual dialoga com a sua música, ampliando a sua expressão criativa e cultural.
Em 2024 criou o canal de transmissão no seu Instagram chamado Privini.Di.Abuso.Sexual — um espaço de sensibilização e prevenção do abuso sexual. Através deste canal, Fattú partilha conteúdos educativos e histórias reais de vítimas que, pela primeira vez, encontraram um lugar seguro para falar. Os debates abertos promovem a escuta, a empatia e formas de prevenir e transformar os contextos sociais e culturais que perpetuam a violência sexual — especialmente em países onde o tema ainda é tabu. O projeto afirma-se como uma bandeira viva de ação, acolhimento e mudança.
Agora em 2025, lançou o single Badja Tina, uma canção de denúncia contra o casamento forçado infantil. Inspirada em histórias reais, a música viralizou e tornou-se uma referência internacional de luta pelos direitos das meninas.
A sua presença em palco é magnética. Fattú canta com o corpo, a alma e a ancestralidade. É conhecida pelos seus penteados ancestrais, turbantes e um estilo visual autêntico, que expressam a sua identidade africana com força e elegância. Cada atuação é um ritual de afirmação, cura e poder.
Hoje, Fattú Djakité é uma referência artística e cultural. A sua voz carrega a dor e a beleza da história africana, e a sua arte — seja em forma de canção, pintura ou palavra — é uma ferramenta de transformação.
Entrevistada exclusivamente pelo Bacanudo.com, a multifacetada artista citou algumas das suas preferências do dia a dia. Conheça!
*Meu livro - "O Alquimista", de Paulo Coelho.
*Meu filme - "Django", dirigido por Quentin Tarantino.
*Minha música – "Badja Tina", de minha autoria.
*Minha cidade - Cidades praiaeiras.
*Minha bebida - Água.
*Minha comida - Caldo de Txebém (Guiné-Bissau).
*Minha estação do ano - O verão.
*Meu paraíso - Guiné-Bissau (Ilha Bubaque).
*Minha fraqueza - Os meus filhos.
*Meu pecado - Comida.
*Meu medo - De perder o que demorei pra conquistar, a minha família.
*Minha flor - Bouganville.
*Meu esporte - Dança.
*Meu lazer - Praia.
*Meu cheiro - De terra molhada.
*Meu ídolo - Minha avó.
*Meu sonho - Era ser mãe, agora é ver meus filhos crescerem.
*Minha inspiração - Guiné-Bissau e Cabo Verde, na África.
*Meu arrependimento - De nada.
*Meu compositor - Princezito.
*Meu restaurante - O da minha mãe.
*Minha paisagem - Da Ilha de Santo Antão (Cabo Verde).
*Minha indiferença - Me importar com o que as pessoas falam de mim.
*Meu exagero - Cuidar de todo mundo.
*Minha impaciência - Esperar.
*Meu lugar no mundo - Onde os meus filhos e meu marido estão.
*Meu lugar na casa - Na cozinha.